Dear white people

Olá, queridos da internet. Olha quem está de volta? Pois etão. Retornei. Um pouco mais velho, um pouco mais careca, porém, muito mais compreensivo quando o assunto é idade. Afinal, este blog só tinha sido criado em 2016 para que eu pudesse me adaptar a ideia de que estaria, logo, logo, fazendo 30 anos. Pois hoje estou aqui, com 31 e mais vivo do que nunca. Talvez com algumas dores a mais nas costas, ok, porém de pé, queridas, porque vaso ruim não quebra, não. Mas o post de hoje não está relacionado a minha idade, não, ou a idade da minha coluna (80, no caso). Vim aqui para falar de Dear white people, a série mais bombástica da Netflix. Para quem ainda não conhece, aqui vai um review da coisa toda. Sam, a personagem principal, é uma militante do movimento negro que, juntamente com seus amigos, protesta contra a forma como os negros norte-americanos são tratados na sociedade atual. Ela tem um programa de rádio, na universidade onde estuda, e nele denuncia todas as formas de racismo aos quais ela e seus amigos passam. Bom, mas por que eu acho que esta série é simplesmente fantástica. Resposta muito tranquila. Primeiro porque sou negro, e é impossível eu não conseguir relacionar os fato que ali acontecem com o que na minha vida, de forma diária, é bastante “comum”. Segundo que por uma questão humana, eu acredito que estes assuntos devam, sim, ser debatidos e discutidos entre todos, a fim de que possamos ter uma maior conscientização das pessoas quanto as barbáries que ainda acontecem em nossa sociedade.

2° temporada da série da Netflix
Dear White people
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Empatia e você, tudo a ver

religiãoIndiscutivelmente já sabemos que há vantagens que surgem durante este processo de crescimento e consequente amadurecimento pessoal. Logo que decidi iniciar este blog, eu infelizmente não conseguia, no entanto, ver as maravilhas que estavam por vir com a chegada dos 30 e acabava por me concentrar unicamente no senso comum das desvantagens (o povo gosta de sofrer mesmo). Pois bem, caros amigos. Aqui estou para lhes dizer que, felizmente, eu estava redondamente enganado (sempre quis dizer isto!!). Dentre estas vantagens, foco neste momento em um sentimento que aos poucos vem tomando cada vez mais conta da minha vida: a empatia.

Gente, para os desavisados de plantão, ou ainda para os que já a praticam mas não fazem ideia da sua nomenclatura, empatia significa, a grosso modo, você se colocar na posição do outro e procurar entender suas diferenças, suas formas de pensamento e viver. Simples assim. Nada que demande de você qualquer tipo de esforço extraordinário. Apenas uma questão de entender que as pessoas são diferentes e que nem sempre o seu modo de viver servirá para todos, meu amigo (em alguns casos, não servirá para mais ninguém a não ser você). E não importa quantas vezes você tente convencer os demais ( aliás, apenas PARE!). Afinal, ninguém é obrigado!

Estas últimas semanas, por sinal, tenho praticado muito a empatia por conta do meu ambiente de trabalho. Como vocês já sabem sou professor, e recentemente estou trabalhando em uma escola onde a grande maioria dos estudantes são judeus. Nestes três meses de aula que já se passaram, a imersão cultural com este grupo tem sido intensa e extremamente gratificante em todos os sentidos. A entrega a esta cultura nova, a esta religião tão bonita e fascinante, composta de pessoas de grande coração e mente aberta tem me proporcionado uma nova forma de pensar. Toda semana aprendo um pouco mais sobre eles e com eles. Aprendo o quanto é importante sabermos que nós homens precisamos ser livres, preservar a família e o indivíduo. Aprendo que compartilhar e compreender o próximo sempre foi e sempre será o melhor caminho. Coincidentemente, tudo o que venho aprendendo com estes meus novos alunos e colegas de trabalho não é  muito diferente dos dogmas e preceitos aprendidos durante toda a minha educação básica em uma escola católica em minha cidade, Gravataí, onde eu, através dos ensinamentos de irmãs e muitos professores dedicados, compreendi o quão é necessário que tenhamos amor ao próximo. E olhem só que incrível. Não é que com os meus amigos evangélicos, espíritas e do candomblé eu já aprendi tantos destes mesmo princípios?!

O fato é que você, querido amigo, querendo ou não admitir, tem que aceitar que as diferenças estão aí, sejam elas de cunho religioso, social, de gênero etc. E, talvez, para o espanto de alguns, elas não irão deixar de existir. Vai de cada um, de cada pessoa compreender que independente da religião, ou de qualquer outra diferença, estamos lidando com pessoas, com seres de carne, osso e sentimentos, e a melhor saída, ou quem sabe começo, seria optar pelo respeito, pela compreensão e principalmente pelo amor. Desejo a todos vocês um grande Shalom, amém, namastê, axé e colar de beijos!!

Ser ou não ser, eis o textão!

blogEntão gente, aqui estou eu de volta para mais um texto do meu blog, já nem um pouco semanal, mas tentando estabelecer aos poucos uma periodicidade. Isso porque, não sei se vocês já sabem,eu mantive uma certa distância deste meio virtual, muitas vezes encantador, tantas vezes cruel. A razão? Segue aí motivo.

Pra quem me acompanha por aqui, ou mesmo através do meu perfil no facebook, sabe muito bem que sempre procurei ser uma pessoa de posicionamento acerca de assuntos que me interessavam ou que me atingiam diretamente. Foi então que eu percebi o quanto meu posicionamento começou a afetar algumas pessoas e até mesmo poderia ser ofensivo a outras. Não que em algum momento eu tenha sido agressivo em meus comentários, ou preconceituoso diante de assuntos que estivessem ligados diretamente as minorias (poxa , afinal eu faço parte delas e seria simplesmente uma imbecilidade da minha parte se eu o fosse). Mas a questão é que meus comentários em algum momento poderiam suscitar algum tipo de incômodo.

O que eu fiz para evitá-los? Apaguei a minha conta do facebook, e consequentemente meu blog, este que vos fala, foi deletado junto. Vivi dois meses de exclusão virtual quase que completa, pois ainda estava utilizando o instagram e whatsapp. Resultado? Dias lindos sem textões, sem raiva provocada por comentários racistas, homofóbicos ou por qualquer outro tipo de post de cunho preconceituoso. Em suma, um período muito agradável. Havia, no entanto, um “porém” aí a ser trabalhado. Ao sair desta rede social e bloquear meu blog, um pouco de mim também sumiu. Um pouco do que eu gosto de ser foi eliminado da minha vida. Me apaguei ao me abster de assuntos que estão ligados a, ou até mesmo são, parte da minha vida. Cheguei a prometer para mim, em um momento de tristeza, que mesmo voltando ao blog, não emitiria mais opiniões tão profundas sobre qualquer tipo de assunto que estivesse em voga. Mentira. Falhei. E vou continuar falhando.

Ao me preocupar, mais uma vez, com o que os outros iriam pensar, me esqueci novamente de mim. Esqueci do que eu gosto e de quem eu sou. A verdade é que nesse processo de amadurecimento constante, a gente acaba cometendo mil erros, sempre ao pensar no que os outros vão compreender. Porém, e isto é um mantra que eu preciso repetir a todo tempo a partir de agora, é que eu posso até ser responsável pelo que vocês entendem ao ler algo que eu escrevo, mas jamais eu posso ser o responsável pelo o que vocês sentem.

Na fala, o amigo solteiro

sem-tc3adtuloConforme a idade se aproxima e os trinta começam a fazer cada vez mais parte da nossa realidade, um problema em especial surge diante das nossas vidas; para os que ainda são solteiros, é claro: a formação de casais no grupo de amigos e o consequente desaparecimento dos mesmos (ah, estes mesmos. Sempre soube do perigo que eles representavam).

Não é de hoje que sabemos que quando um amigo nosso se enrabicha por alguma pessoa a tendência é de a partir deste momento, o tempo que ele terá com o “ser intruso” (ciúmes, eu?? Jamais!) será muito maior. Isso, com certeza, espera-se que ocorra muito mais durante os primeiros meses, quando há aquele sentimento de descoberta, de amorzinho pra cá, meu benzinho pra lá entre outros inhos mais. Mas assim, caros amigos (se é que ainda há a possibilidade de existir algum traço de amizade por aí), tudo tem limite.

Sejamos coerentes e bastante pontuais ao analisarmos o quão ridícula é a lógica do “estou afastado dos meus amigos, pois estou namorando”. Como gosto de trabalhar com listas, pelo fato de elas serem bem explicativas, cá estão algumas considerações importantes sobre este tema que vai fazer você, amigo desaparecido, pensar duas vezes antes de cometer novamente este erro com seus amigos solteiros:

1) Pode muitas vezes não transparecer, mas seus amigos solteiros sentem sua falta (o que é indiscutivelmente irritante de admitir);

2) No entanto, mesmo sentindo sua falta, eles não vão ficar te esperando pelo resto da vida (papel de trouxa? Oi?!). Isso significa que você também pode ser esquecido;

3) Seus amigos solteiros não estão aqui para lhes servirem apenas quando em seu relacionamento há algum tipo de desentendimento. Eles não são step de carro e nem merecem ser tratados como um. E isto também inclui chamá-los para sair apenas quando você quer se jogar na night para uma noite de vingança;

4) Quando os seus amigos solteiros reclamam da sua ausência, não tentem diminuir o que eles estão sentindo com risadinhas e deboches. Seus amigos solteiros apenas querem mais a sua presença;

5) Mas é da presença que eles estão sentindo falta e não unicamente de alguns minutos de atenção que você, erroneamente por telefone, combina dar ao seu amigo quase que na forma e migalhas;

6) E não me venha com a desculpa de você só ter uma vez na semana para ver o seu rolo. Até porque, se você utilizar esta lógica sempre, você também terá apenas uma vez na semana para ver os seus amigos. Em outras palavras, se você apenas priorizar o seu/sua peguete, esqueça os seus amigos, pois você nunca mais os verá;

7) Não, seu amigo não precisa arranjar um alguém para poder sair e socializar com você e seu rolo. É injusto este tipo de troca. Quem quis namorar aqui foi você;

8) Não tem tempo? Organize-se, afinal um dia você muito provavelmente terá muito mais do que um casinho. Você terá, quem sabe, uma família, com filhos ou cachorros, ou ainda terá os dois, você terá uma casa, um emprego, projetos paralelos e por aí vai. Então, acostume-se, amadinho;

9) Seja uma pessoa madura e entenda que deixar seus amigos solteiros de lado, os trocando por uma pessoa que você acabou de conhecer, é infantil, irresponsável e uma falta de respeito gigante com aqueles que já te conhecem há muito tempo.

E por último e não menos importante…

10) A gente (os amigos solteiros) sempre tenta avisar com antecedência sobre este comportamento, antes que seja tarde demais.

Me deixa que eu to na “bad”

lJd1OEBL_400x400Aí você está numa semana boa. Com ótimas notícias, uma vibe incrível e até com altos planos rolando para o futuro. Mas do nada, “BANG, dei meu tiro certo em você!”. A vida aparece e te dá uma rasteira e assim a “bad” começa a tomar conta do campinho.

E quem nunca passou por isso, hein? Já sei. Certamente aquelas pessoas lindas, magras e ricas do meu instagram que insistem em ostentar suas riquezas. Porque a gente aqui, meros mortais que fazemos parte do proletariado, temos oscilações mil durante a semana, e se duvidar no mesmo dia (bipolaridade??).

Querem saber o que é ainda mais engraçado (se é que posso achar graça deste fato)? Semana passada, mais ou menos neste mesmo horário, eu estava escrevendo um texto para este blog falando sobre como se aceitar, como sobre ter uma auto- estima elevada e blá blá blá. Gente, acho que era tudo mentira. Acabei de perceber que há muitas coisas na minha vida que eu ainda não consegui superar. E para ser bem sincero, talvez eu nunca consiga. Não que haja algum defeito em mim (pelo menos não de forma explícita), mas acho que isso faz parte do próprio viver, da arte de ser humano e amadurecer.

Se com vocês também acontecem coisas do gênero, pensem pelo lado positivo (pelo menos eu to aqui tentando): todos nós estamos no mesmo barco. Quem sabe até aqueles saradões, ricos e bonitos do instagram! Todos estamos, de uma forma ou de outra, tentando superar os desafios e obstáculos que a vida (esta puta) nos manda. Por isso, o mais sensato seria apenas sentar-se e tentar apreciar o lado bom que esta viagem ainda pode nos proporcionar.

 

Parem, suas lokas!

tumblr_static_tumblr_static_6c498txtihc8k0gsck408wsg4_640Geralmente, a maioria das pessoas quando comenta sobre a chegada dos trinta anos traz uma visão bastante negativa sobre este evento da vida. Eu mesmo já cometi este erro mil vezes, não apenas aqui no blog, mas nas várias conversas que já tive com amigos também quase trintões. A questão é que com o passar destes últimos meses, eu mudei muito. Sei lá, amadureci mesmo, de estar muito mais seguro comigo, de mim e do meu potencial (quem diria, hein?). E o que aconteceu? Não sei ao certo, mas talvez  tenham sido os vários desafios pelos quais passei em 2015 que me mostraram o quanto posso ser muito maior do que as minhas neuroses e preocupações.

Inclusive, eu acho que estas neuras possivelmente são compartilhadas por todos nós que beiramos esta idade enigmática (migas, suas lokas). Uns sofrem menos, outros sofrem mais, mas todos passamos, de uma forma ou de outra, por situações e momentos como os listados abaixo:

1) o corpo já não responde mais prontamente aos desejos da mente, como ir à uma balada e permanecer até o sol raiar (no máximo até umas 3h e olhe lá).

2) o mesmo corpo, já não tão jovial, está agora suportando alguns quilos a mais, sendo muitos deles concentrados na região abdominal (e vocês acham que eu me importo com isso?).

3)  já temos discernimento para perceber quando algo relacionado a moda é apenas uma tendência e que passará muito rápido (nos deixando  futuramente envergonhados pelo que vestimos) ou algo mais duradouro. No entanto, estamos cagando para o que as pessoas querem nos ditar, pois  usamos o que quisermos (porque não somos obrigados).

4) começamos a dar mais valor a nossa família e aquela vergonha que tínhamos ao andar ao lado deles passa a ser motivo da vergonha de hoje, afinal nossos pais, principalmente, não estarão com a gente para todo o sempre. Por isso, vamos aproveitar.

5) Falar a verdade nunca foi tão fácil, porque quando somos muitos novos criamos uma barreira ao nosso redor, com medo de dizermos o que sentimos e o que queremos. O filtro social se desgasta e mandamos ver no verbo. Segurem esta marimba, mon amour!

6) Qualquer coisa que antigamente era essencial e prioridade, hoje se torna supérfluo e “Jesus, como eu era capaz de gostar disso?”.

7) As questões do coração deixam de ser tão viscerais irracionais. A gente até se apaixona e ama, mas nossos pés, agora mais calejados, passam a ficar mais no chão (isso é bom ou ruim?).

8) As aflições relacionadas ao nosso futuro e a necessidade de obtermos sucesso, nos parâmetros que a sociedade nos impõe, até continuam um pouco, mas vão desaparecendo conforme a gente percebe que toda essa filosofia não passa de uma grande cilada. (Vide carga pesada).

9) Ter uma família, casa, carro e um emprego de sucesso antes dos trinta? Esqueçamos. Já ouviram falar que a nossa perspectiva de vida aumentou? Então dá pra gente adiar tudo isso tranquilamente. Que venha o centenário!!

10) Percebemos que somos muito maiores do que muitas das preocupações que tínhamos e queremos, a partir de agora, ser livres das nossas mentes insanas.

Por isso, trintões de plantão, apenas se preocupem e tenham neuras com uma única coisa: vivam intensamente suas vidas.

Profissão professor

destaque_postsUma das melhores coisas sobre a passagem de um ano para o outro é esta sensação de renovação de espírito. Sensação que, muitas vezes, nos traz mais vontade de continuarmos fazendo aquilo que nos agradou no ano anterior e ainda melhor.

Pois digo a vocês, gente, que se tem algo que me fez feliz durante este período de 2015, foi dar aula. Pra quem tá chegando agora no blog, prazer, meu nome é Gustavo, quase 30 (ai, jesus) e sou professor de inglês. Aos que interessarem, também sou solteiro (rsrs). Tá, mas voltando ao foco da conversa, como eu estava dizendo, ser professor me fez um bem gigantesco neste ano. Não que nos outros anos tenha sido ruim, pelo contrário, foi ótimo também, mas 2015 foi um período de, principalmente, superação profissional para mim, com toda a questão de formatura batendo na porta, TCC gritando nos ouvidos e muito, mas muito choro livre (quase fui responsável pela formação de uma nova bacia hidrográfica brasileira).

Talvez alguns de vocês já devam até estar pensando ” mas gostar de ser professor? Essa profissão tão sofrida e pouco valorizada no Brasil?!” e por aí vai. Sim, gente. E pra espanto de vocês, não apenas gosto como amo. É claro que aceitar isso em uma sociedade majoritariamente capitalista não foi fácil. As pessoas te julgam o tempo todo por você ter feito uma escolha voltada  para os seus gostos e habilidades e não pelo retorno financeiro que você vai ter. Dizem “nossa, mas você é tão inteligente e decidiu virar professor?! Pra quê? Pra sofrer?” São nessas horas que eu conto até 10 e me finjo de louco pra passar bem. Conselhos de mamilys poderosa. Não que eu não goste de dinheiro. Não sejamos ingênuos, afinal ter grana pra poder comprar o que queremos e precisamos é fundamental. Agora, basear uma vida inteira unicamente ao ganho de dinheiro, negligenciando aquilo que nos faz arrepiar e nos emocionar é perda de tempo e de capacidade intelectual.

O mais engraçado de toda essa discussão é perceber que de longe o dinheiro, pelo menos pra mim, seria uma das maiores desvantagens desta profissão. Claro que existem alguns outros fatores que me incomodam durante este percurso, não minto, mas de algumas desvantagens a parte, a que mais me frustra é a de ter que me despedir dos alunos quando eles se formam. Podem rir, porque chega a ser patético, mas me dói perceber que muitos deles eu vou ficar sem ver, sem ter o contato durante as aulas, sem ter as conversas construtivas etc. A gente cria laços, os fortalece, pra que no final tudo acabe em um adeus. É quase como um sistema de injustiça pra todo professor sensível como eu. E não é que isso aconteça de vez em quando. Não, isso acontece ano após ano. E o mais complicado é conseguir equilibrar o conflito que surge entre a felicidade de vê-los conquistando o mundo e a tristeza de perdê-los ao mesmo tempo. A parada é louca, gente. Não é fácil não.

Bom, mas o real de tudo isso é que ser professor já não é mais apenas uma questão de profissão para mim. Ser professor me define, me agrega e me faz perceber o quanto, apesar dos pesares, eu não consigo mais me ver longe desta vida.

2015, eles não sabem o que dizem

tumblr_inline_nd93hlQhVm1rciub7Faltou texto no Natal? Faltou sim. Devo, não nego, escrevo quando puder. No caso, posso agora. Então, aí está indo um texto de ano novo.

Pra falar a verdade, este texto tá muito mais pra uma retrospectiva do que aqueles outros que estão sendo feitos pela grande maioria das pessoas, desejando que tenhamos um feliz ano novo e que tenhamos um ano muito próspero porque 2015 foi horrível e blá, blá, blá. Não que eu seja diferentão, o modernista, o vanguardista, mas desde que me conheço como gente (agora um pouquinho mais, já que os 30 estão se aproximando cada vez mais rápido, socoooorroooo!!) eu nunca consigo celebrar a virada do ano como as outras pessoas, sabe?! Festejando e viajando etc e tal. Vejo esta data muito mais como um momento de reflexão de tudo aquilo que passou, não apenas comigo, mas com tudo e todos (ok, dizer que com todos talvez seja um exagero, mas eu me esforço). Reflito e sempre procuro ver quais foram os pontos positivos e negativos pra que assim eu possa compreender o saldo do ano. E aqui chegamos (de acordo com o meu ponto de vista).

Este ano foi complicado, gente? Foi e bastante, mas ficar reclamando e expurgando nas redes sociais o pobre do 2015 como se apenas coisas ruins tivessem acontecido é simplesmente desprezar o bem maior que temos: a vida. Sem entrar em lenga, lengas religiosas, a vida é um dos maiores bens que temos, e se estamos ainda aqui, que saibamos aproveitar o máximo dela (ok, bem piegas, mas apenas digo verdades). Tudo bem que durante este ano tivemos grandes baixas. A crise em nosso país, essas disputas políticas que mais parecem brincadeiras de criança mimada, a destruição, mais uma vez, de uma parte da nossa natureza, ataques terroristas e por aí vai. Mas galera, se tem uma coisa que eu aprendi como professor, e cá entre nós, este ano eu aprendi muito com esta profissão, foi a ter esperança. Isso mesmo. Podem, inclusive, me chamar de utópico, romancista, mas é isso mesmo: Esperança.

Este ano eu tive muitas provas de que esperança é algo que move o mundo. Foram vários protestos aqui no Brasil. Foram alunos a procura de um sistema que os representasse e os desse valor. Foram manifestações de solidariedade com as pessoas que sofreram com o desastre em Mariana. Foi a preocupação de tantos com os ataques terroristas na França. Enfim, muitas ações ocorreram este ano me mostrando o quanto o ser humano é bom, só está ainda amadurecendo as ideias (por favor, amadureça mais rápido. Obrigado, de nada!)

Agora, se eu entrar no campo pessoal, nossa, eu posso descrever este ano que passou como desafio. Sim, porque fui diretamente desafiado pela vida a aprender a lidar com as conquistas, com as perdas, com as verdades (e minha nossa senhora das causas impossíveis, que verdades) com os medos, com as inseguranças até com as falsianes. Chorei? Sim, chorei muito, mas também ri bastante e gargalhei um bocado a mais na cara das inimigas.

Então povo, antes que 2015 se vá e a gente acabe sendo ingrato com mais este ano (porque eu bem me lembro de muitos de vocês reclamando de 2014. Aliás,  o que vocês querem, hein?) espero que todos possamos olhar para trás e agradecer por mais uma batalha vencida e que tenhamos ainda muito mais munição de esperança e amor para vencermos a guerra.

 

Juro solenemente mudar

conselhos-para-quem-quer-mudar-de-area-noticiasAí você se forma no ensino médio e sente aquela pressão social, familiar e pessoal de descobrir o que fará durante tooooda a sua vida (grande mentira), afinal, somos seres estáticos e não sofremos nenhuma mudança com o tempo (doses cavalares de sarcasmo). Então, quando você finalmente decide a sua profissão e escolhe a faculdade dos seus sonhos, você pensa “Ok, vida! Aqui vou eu, super decidido e pronto para nunca mais enfrentar decisões tão profundas como esta.” Mas a vida, esta louca, nunca se cansa de pregar peças, não é mesmo?

E por que estou trazendo esta reflexão para mais um blog semanal (podem contar que vai ser semanal, tá, gente? Prometo)? Simplesmente porque cá estou eu, novamente enfrentando o dilema do “o que farei pós formatura?” Tudo bem, muitos de você vão dizer “mas Gustavo, seu lindo (obrigado, de nada), arregaça estas mangas e vai trabalhar!” Gente, primeiro que eu já trabalho na área que eu gosto e me sinto muito realizado por isso. E em segundo lugar, me desculpem, mas não acredito, embora exercendo o que já me faz bem, que o ser humano tenha nascido unicamente para uma coisa. Eu acho, e talvez eu possa estar total delirando, que somos tão plurais e capazes de tantas coisas que devemos também nos dedicar a projetos paralelos. Mas que projetos paralelos, meu senhor? Esta é a dúvida cruel na qual eu me encontro.

Desde que eu iniciei este projeto chamado graduação, sempre imaginei possibilidades mil, como por exemplo, criar minha própria escola, com metodologia própria, onde os alunos pudessem ser livres para criar e se expressar. Enfim, uma escola que causaria inveja nas inimigas. Esse projeto, por algumas razões aparentes ($$) ainda não foi iniciado e para piorar (ou melhorar) outros muitos projetos apareceram no meio do caminho. Sabem como é, né?! Canceriano, sonhador, romântico e blá, blá, blá. O grande problema é que agora são tantos que já não sei com qual deles eu vou começar. E junto com toda essa preocupação de projetos a serem experimentados, têm essa sensação estranha de despedida da faculdade. Honestamente falando, eu nunca pensei que poderia sentir saudades de… “lá”. Não que o ambiente universitário tenha sido o pior da minha vida (pelo menos não sempre), mas pelo fato de eu já estar fazendo parte dele há muitos anos (prefiro não comentar quantos), durante muito tempo rolou um certo sofrimento e um “ranço” de… lá, sabe? Mas aí, chegando agora a tão sonhada colação de grau, do nada a cabeça gira, pira e começa a me enviar mini flashbacks de momentos lindos que tive com amigos, professores conselheiros e aulas incríveis. Gente, assim não dá. Chama a mãe que o pai tá mal.

No entanto, apesar dessa confusão toda que a gente acaba criando em nossas cabecinhas (ou apenas eu na minha ), acredito que todo esse processo acaba sendo super saudável para a manutenção da vida. E no final das contas, mudar faz parte do nosso ciclo natural, assim como já diria Chico Buarque “As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem.” Em outras palavras, que venham todas essas mudanças. Inclusive, podem vir quente que estou fervendo.

Hoje, ontem e sempre!

L23HEwRNopqX_eNWAA_largeGente, hoje eu decidi fazer algo um pouco diferente em função de algumas mudanças que estão acontecendo na minha vida. Elas, de uma certa forma, têm me deixado bem louco. Uma loucura até que aceitável (eu acho). E ao mesmo tempo têm me deixado bastante reflexivo sobre quem eu sou, no que eu me tornei e o que eu ainda quero pra mim. Por isso, resolvi dividir este texto em duas partes, meio que fazendo uma viagem no tempo para mandar estes dois recados bem especiais: um para o Gustavo lá dos 15 anos de idade e outro para o Gustavo que ainda está para vir. Seguem os recados aí embaixo. Prometo não chorar. Mentirinha! rsrs.

Então, Gustavo. Você agora já tem 15 anos e acabou de entrar no ensino médio. Tá aí sem saber muito bem como lidar com estes sentimentos todos e acaba sempre preferindo se enganar, escondendo de ti mesmo estas sensações. Cara, não te preocupa. Uma hora, mesmo que seja daqui há 10 anos, tudo isso que você tá vivenciando vai começar a fazer sentido e você não vai mais precisar se esconder de você mesmo. Inclusive, aquele período em que você se isolou dos seus amigos, por mais que tenha sido necessário pra você se conhecer e construir a sua atual personalidade, não precisa ser justificado pelo medo da rejeição. Você vai ver que quando todo este turbilhão de pensamentos e sentimentos que você está tendo se equilibrar, eles vão estar ao teu lado, te amando e te apoiando mais do que nunca.

Outra coisa, você ainda não fala inglês, né?! E além de não falar você odeia a ideia de ter que estudar esse idioma (que vacilão!!). É uma grande ironia da vida (esta linda), mas a verdade é que daqui há uns 3 anos, esta língua vai se tornar uma das coisas mais importantes pra você. Ela vai te trazer a possibilidade de conhecer outros mundos, outras realidades, outras formas de pensar e vai te fazer muita feliz ainda, todos os dias da tua vida. Ok, em alguns dias a TPM talvez te impeça, mas no geral ela te fará um cara muito realizado.

Em falar em profissão, brother, cê vai passar por cada uma que eu vou te contar. Começando pelo que você menos vai gostar, teu pai vai te obrigar a estudar mecânica (tudo pelo teu futuro, é claro). Aí você pergunta: nessa nova escola eu vou sofrer bullying? Vai! Vão me chamar de veadinho por lá? Vão! Vão ter dias em que a vontade que eu tenho é de simplesmente largar tudo e deixar de ir, por conta de toda essa humilhação? Sim. Mas estes dois longos anos vão passar e você vai ver que no final, tudo vai acabar sendo um grande aprendizado. Mas como já diz o ditado popular, “Depois da tempestade, sempre vem a bonança”. Porque mais tarde, você vai decidir fazer o curso de técnico em química. Tudo bem que ainda não é o que vai te realizar profissionalmente, mas é o que vai trazer pra tua vida pessoas que você vai considerar família. Essas pessoas vão ser tão especiais pra você que vão te apoiar nos momentos mais difíceis, como a troca de curso da faculdade (de química pra letras), a troca de profissão e até te dar conselhos amorosos (uns até bem engraçados). Elas serão a chave para uma transição de vida que ainda está por vir. Mas calma. Talvez até seja difícil pra você passar por tantas mudanças, mas elas, essas pessoas maravilhosas, nunca vão te deixar sozinho.

E antes que eu comece a derramar mais lágrimas aqui, só queria dizer mais uma coisa. Continua esse cara sonhador que você é. Não desista dos seus sonhos não. Talvez no meio do caminho vão aparecer algumas pessoas que vão fazer você desacreditar do que você é capaz, mas não vai por elas não. São todas falsianes. Então era isso. Só te desejo uma bela caminhada e força. Beijos de luz, amiguinho!!

Agora é a tua vez, Gustavo do futuro. Você não tem noção da quantidade de planos que eu tenho pra você. Nossa, são tantas coisas que eu não sei nem por onde começar. Só pra você ter uma ideia, agora eu estou passando pelo final da faculdade. Está sendo uma adrenalina incrível. A cada dia que passa é um cansaço gigantesco, mas estou fazendo isso tudo por você. O que eu te peço, cara, é que você seja muito feliz, assim como eu sou uma pessoa feliz agora. Que você continue conservando seus velhos amigos (que agora devem estar ainda mais velhos rsrs), que você se dedique mais a família, porque confesso, neste quesito eu ainda estou pecando, e que profissionalmente você esteja transbordando de felicidade, com os seus alunos, textos, blog e até quem sabe um canal no YouTube (Por que não?). Enfim, velhinho, (literalmente) quero que você seja feliz acima de tudo. Te amo ontem, hoje e sempre!