Feminismo: E o que eu tenho a ver com isso?

arte_machismo_vale_esteSe você é do tipo de pessoa que acha que toda mulher deveria se dar ao respeito, que lugar de mulher é na cozinha, que existem mulheres pra pegar enquanto que outras são para casar, queridinho, “cê não devia nem tá aqui, linda?”. Este blog não é pra você e nem muito menos tem a intenção de entender o seu ponto de vista deturpado.

“E por que razão um blog que fala sobre a passagem dos vinte anos para os trinta decidiu se posicionar sobre este tema, meu Jesus?”, alguns de vocês podem se perguntar. Porque chegar aos trinta também tem me feito refletir sobre inúmeros conceitos (e preconceitos) que rondavam esta mente maluca que de vez em quando aparece aqui para dividir com vocês as suas angústias e pensamentos. Porque o chegar aos trinta, também tem me trazido um amadurecimento monstruoso (altamente recomendável, mores, pra todas as idades). Porque como ser humano, não faço mais nada do que a minha obrigação em defender e estar ao lado dos que precisam. E principalmente porque não faz sentido, e leiam bem novamente, NÃO FAZ SENTIDO (e pra falar a verdade nunca fez) essa diminuição imbecil da figura da mulher.

Antes de escrever este texto, no entanto, eu procurei pesquisar bastante, ler alguns outros textos sobre feminismo, me informar, conversar com as meninas, enfim, fiz o meu tema de casa. Fiz tudo isso por motivos muitos simples mas que significam muito pra estrutura do feminismo como um todo. Um, porque como homem, independente de não agir como um ser opressor, sei que a minha figura representa e é responsável direta pela opressão da mulher. Por isso, antes de qualquer coisa, mil perdões. A culpa não é diretamente minha, mas faço parte de um contexto que acaba permitindo a propagação de uma filosofia vil e mesquinha. Segundo que não sou mulher e portanto, não posso nem ser feminista e nem ao menos protagonista desta luta. Confesso que considero inclusive um pouco perigoso entrar neste assunto, afinal como não sou atingido pela desigualdade de gêneros, não sei quais são os sentimentos e sensações pelas quais as mulheres passam, mas me solidarizo e procuro ter empatia, assim compreendendo o sofrimento alheio. E terceiro, por uma questão óbvia: não queria estar aqui pagando vale e falando vários nadas.

Então, segurem os seus forninhos porque eu vim aqui foi pra tombar mesmo. Seguem alguns recadinhos para os machistas de plantão: (caso vocês conheçam algum, repassem estas dicas)

  1. Vocês já deveriam saber faz tempo que mulher não é objeto. Elas não estão aqui pra agradar vocês. Então se alguém acha que mulher gorda deveria emagrecer e se cuidar mais, mulher peluda deveria se depilar, mulher sem maquilagem deveria se maquiar e por aí vai, porque vocês acreditam que mulheres com estas características não vão conseguir um namorado ou marido, para o conhecimento de vocês, algumas nem querem mesmo;
  2. Assim como vocês, elas também têm o direito de beijar e transar com quem quiserem, sem que sejam rotuladas como putas ou vagabundas. Não é da conta de vocês com quantos homens elas se relacionam. Aliás, se vocês fossem mais espertos, aproveitariam este fato (o que é muito diferente de “se aproveitariam deste fato”) e seriam muito mais felizes e libertos com elas;
  3. O que elas vestem adivinhem? Novamente é da conta unicamente delas. Se elas estão de shortinho, vestido, calça ou seja lá o que for, é problema delas. E em nenhum momento elas estão pedindo qualquer buzinada de motorista escroto e muito menos para serem estupradas;
  4. Aceitem que elas estão arrasando nas escolas (eu mesmo tenho várias alunas gênios e tive/tenho muitas colegas brilhantes) e que estão sim tomando seus devidos lugares, os quais há muito tempo já deveriam ter tomado, nos diversos ambientes de trabalho. E que tomem mais, porque tá lindo, mas ainda tá pouco.
  5. E último (vou parar por aqui antes que eu faça um tratado), não as tratem como seres divinos e imaculados pelo simples fato de vocês se lembrarem da existência de suas mamães e irmãzinhas. Sei lá, mas eu acho que as tratar com respeito pela questão de elas serem, assim como vocês, feitas de carne, osso e sentimento (talvez até muito mais, neste quesito) já faz toda a diferença.

Eu sou negro, sim senhor!

blackUm dia desses, uma aluna do estágio me perguntou se eu já havia sofrido racismo. A pergunta foi um pouco inusitada e acabou me pegando de surpresa, porque estávamos discutindo uma outra temática em sala de aula, e por isso demorei alguns segundos para processar e respondê-la. E é ainda mais estranho dizer que esta tinha sido a primeira vez, em quase 30 anos de vida, que uma pessoa me fez uma pergunta assim, sem rodeios, sendo direta e reta. E por mais que isso tenha me trazido a mente o pensamento “nossa, que incrível esta nova geração, muito mais aberta e corajosa aos debates”, também me veio à cabeça “eu ainda estou pouco preparado para encarar a realidade de que eu sofro racismo.”

Ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, esta minha reflexão não foi fruto de uma fraqueza de ideologia. Acredito que tenha sido muito mais o resultado de uma vida de negações e privações às minhas próprias origens, promovidas por inúmeras questões sociais que nos afastam das nossas raízes negras. Deixem-me explicar melhor. Durante muito tempo, por ter convivido diariamente e unicamente com pessoas brancas (e aqui já quero explicitar que do ponto de vista convívio, eu tive as melhores companhias possíveis, mas que não suficientes para me fortalecerem como negro) e não ter tido referências negras necessárias, foi bastante complicado desenvolver em mim uma identidade racial. Ou seja, uma identidade que se estabelecesse através das relações com a minha ancestralidade e cultura. E quando eu falo de referências, não estou apenas citando aquelas que poderiam estar ao meu lado, em um convívio diário. Eu falo sobre e principalmente de representatividade. Aquela que deveria se estabelecer em todos os campos e áreas. Por exemplo, há alguns anos atrás, os papéis de negros nas telenovelas se limitavam unicamente à cozinha das casas de seus patrões ou ainda a lugares marginalizados, como favelas, vilas e as ruas dos centros urbanos. Não que hoje tenha mudado muito, mas já vemos que, mesmo sendo uma pequena e muito tímida mudança, ela já está acontecendo. Talvez aos trancos e barrancos? Sim, mas acontecendo. Espero ainda que estas mudanças ocorram também na indústria de brinquedos, com mais bonecas e bonecos negros sendo produzidos, em programas de televisão, com apresentadores negros, nos grupos musicais etc etc e muito mais etc por aí, porque quanto mais enegrecemos o tamanho da representatividade, menos teremos o apagamento da nossa própria identidade.

Mais recentemente este assunto sobre identidade racial tem me chamado a atenção por alguns motivos bem claros. Primeiro porque eu não estou aqui a passeio e acho que já está mais do que na hora de eu me identificar completamente com as minhas raízes negras. Segundo que conforme eu venho amadurecendo e crescendo como ser humano, eu tenho percebido que ao me empoderar eu também passo o exemplo a outros que estejam na mesma situação na qual eu me encontrava. E terceiro, e não menos importante, porque percebi através de meus sobrinhos e afilhados que precisarei ser forte para estar ao lado deles quando, infelizmente, eles passarem por situações de racismo na escola. Ainda, ridiculamente, inevitáveis.

Apesar de esta nova geração de negros e negras já estar inserida em um novo cenário, muita coisa ainda continua sendo perpetuada por aí como antigamente e pra piorar, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Desde a beleza de caráter eurocêntrico, com seus cabelos lisos e loiros, até os estereótipos atribuídos “gratuitamente” a nós negros, como “negros são preguiçosos”, ” negros têm capacidade intelectual inferior aos outros” e muitos outros mais que apenas de pensar já me enfurecem. Bom, mas acho que a partir daqui vocês conseguem agora compreender o que eu quero evitar para os meus pequenos, né?! Que eles não tenham que passar por estas situações constrangedoras e que diminuem o ser negro. Que as gerações após eles também não tenham que passar por isso. E que se neste momento tenhamos que colocar nossas caras a tapa para lutarmos por uma sociedade que não nos oprima e não nos cale, como faziam com nossos ancestrais escravos, que façamos isso de cabeça erguida, de black armados e punhos cerrados.

Homem de fases

felicidade.-Vou colocar um piercing, tá mãe?

– Aham! Vai colocar onde? No pinto?

Diálogos como este são muito comuns aqui em casa, já que minha progenitora tem a capacidade de ser bastante zoeira (sim, eu tenho quase 30 anos e ainda moro com mamilys poderosa). Mas não estou escrevendo este texto para falar dela. Pelo menos não neste. Quero discutir um pouco sobre estas passagens e os rituais que acontecem constantemente na vida da gente e as loucuras que fazemos, tipo colocar um piercing. Não lá, no caso.

Desde muito pequeno, eu sempre fui uma pessoa bastante inquieta e muito inclinada à mudanças. Eu queria estar sempre participando de uma atividade nova, de ler livros e gibis novos e de me desafiar em tudo. Gente, até a área dos esportes eu cheguei a procurar (só Jesus na causa). Pra quem me conhece, sabe o quanto e sou um zero à esquerda quando o assunto é qualquer atividade que me demande uma habilidade motora mais a nível avançado. Mas mesmo assim eu fui lá e tentei futebol (acreditem, eu tentei mesmo, mas eu era sempre aquele a nunca ser escolhido), vôlei, handebol, até capoeira, meus Senhor, eu tentei e nada. Mais recentemente foi a natação, mas eu só sabia tomar água por todos os orifícios possíveis do meu corpo (não pensem besteira).

Tirando as tentativas fracassadas nos esportes, eu também tentei, e desta vez com mais sucesso, entrar no mundo da música. Eu adoro música e estar envolvido neste universo é algo que me deixa completamente à vontade. Por isso, aos 11 anos (um baby Gustavo) decidi passar pela fase de tocar trompete. Essa fase durou alguns bons anos, lábios cortados no inverno rigoroso do sul, muitas viagens ao interior do estado e uma saudade imensa desse período. Até hoje ainda mantenho o trompete comigo, como uma forma de recordar os dias gloriosos de banda, com seus ensaios e apresentações. E quem sabe, mais futuramente, eu não passarei por esta fase novamente, né?

Eu também já fui químico, formado, com experiência de 7 anos na indústria. Mecânico, de diploma, com apenas 6 meses de experiência (sim, e tenho fobia à mecânica até hoje). E agora sou professor de inglês esperando ansiosamente pela chegada do fim do ano e assim concluir mais uma fase da minha vida: o término da faculdade de letras.

É claro que existiram outras muitas fases da minha vida. A que eu queria ser um desenhista, a que eu queria ter um black power, mas só consegui descobrir que tenho sérios problemas de calvície, o que provocaria uma ausência de cabelo na parte de trás da cabeça (apenas realizem como ficaria…). A que eu queria ser um chiquitito (só pra esclarecer, da primeira versão, tá?!) a que eu queria fazer parte do You Can Dance (não, sabem? Joguem no google, amados) e até a que eu beijava meninas (vejam só!). Ufa!! Muitas fases em apenas quase 30 anos de muito charme e gostosura. SQN! Mas e se neste exato momento alguém me perguntar “Gustavo, e agora, em que fase você está?” a minha resposta seria ” Estou na fase de ser FELIZ!” E quem sabe de fazer uma tatuagem.

Sobre os sonhos da vida

sonhosOi! Meu nome é Gustavo Rodrigues e “I have a dream.” Não se preocupem porque o texto não será todo escrito em inglês (é que de vez em quando a gente tem que mostrar umas habilidades a mais pra galera). Mas mesmo o texto não sendo em inglês, eu continuo tendo um sonho. Na verdade, muitos sonhos. Afinal, como já dizia o samba “sonhar não custa nada e o meu sonho é tão real.”

Pra quem me conhece e já percebeu qual é a minha filosofia de vida, sabe que eu sou exatamente o tipo de pessoa que acredita nos sonhos e os persegue de forma voraz. Sou do tipo que traça metas e objetivos muito bem planejados e corro atrás daquilo que realmente quero. É claro que antes de lidar com eles, eu me permito o total devaneio de acreditar que tudo é absolutamente possível e que basta tentar a sorte e ser feliz (maldita Xuxa). Na real, eu sou praticamente uma criança grande que sonha inclusive acordada. Aliás, se vocês me avistarem por aí com os meus fones de ouvido, dançando na rua ou protagonizando alguma cena de um vídeo clipe imaginário, dentro do busão ao lado da janela (principalmente em dias chuvosos), por favor, não me interrompam, pois estou a divar.

Só que há um grande problema nisso tudo, e eu acredito que qualquer sonhador nato concordaria comigo. Quando se abre mão daquelas “verdades absolutas” impostas pela nossa sociedade, as pessoas, ou melhor dizendo, os dementadores (aos que ainda não conhecem esta palavra, por favor, leiam Harry Potter e descubram) sempre acabam lhe cobrando uma postura mais chata, digo, realista em relação a vida, como se sonhar fosse uma opção ameaçadora e perigosa. Pois eu penso o contrário. Perigoso é a gente não sonhar. Perigoso é a gente acreditar que a vida se limita a este fardo que se chama realidade e esquecer de criar mundos novos, onde a gente possa se refugiar quando este aqui já está sendo muito doloroso e árduo. E mais. Que sonhar não seja apenas considerado um refúgio mas que também seja a representação de um futuro melhor, de uma vida mais extraordinária.

Então se você está aí ainda a se reprimir porque há dementadores ao seu redor sugando suas vidas, suas almas e seus sonhos, SE LIBERTE. Sonhe! Seja com a carreira perfeita, com o amor verdadeiro, com a família dos seus sonhos, com a viagem mais incrível, ou até mesmo com o Caio Castro (né, meninas?!). Mas sonhe. Se permita e principalmente, se você alcançar o seu sonho, não se esqueça de dizer à sociedade ” parece que o jogo virou, queridinha!”

Fraco na aparência- O dia em que me acordei uó

shrekVocês já tiveram aquela sensação de se acordar, se olhar no espelho e ter aquele susto porque se depararam com um quase filhote de cruz credo na sua frente? Então, hoje foi o meu dia.

Obviamente que eu nunca fui um grande exemplo de beleza, do tipo de pessoa que exala harmonia corpórea e que brilha durante o dia pelas ruas da cidade (até porque eu não sou nenhum vampiro Edward). Minha forma de beleza (se é que ela realmente existe), pelo menos no meu ponto de vista, é bem comum. Mas há aqueles dias em que a gente, e com certeza até mesmo a Gisele Bundchen deve se sentir assim, se acorda com a cara virada ao avesso, com a sensação de estar com o pior dos cabelos e para piorar mais ainda, porque sim, isso é possível, encasquetamos de usar aquela peça de roupa mais estranha que temos em nosso armário. Uma combinação dos infernos, digna de querer estar morta.

E quando a gente pensa que a coisa não pode piorar, somos sugados pelo universo das redes sociais, onde as pessoas são lindas, radiantes e maravilhosas. Onde todos são trabalhados na purpurina e neon e os flashes e inúmeros filtros os transformam em celebridades instantâneas da internet. Ou seja, é praticamente um 7 à 1 o tempo todo.

Eu sei que este assunto pode parecer superficial e fútil, mas a verdade é que, e agora a opinião que eu vou dar pode ou não ser a mais certa levando em consideração que eu não sou especialista no assunto e sim apenas um curioso, muito da nossa auto estima vem da forma como nós conseguimos nos ver e gostar do que somos, tanto internamente falando, como nossa personalidade e sentimentos, quanto externamente, ou seja, nossa aparência. Se alguma destas partes não está de acordo com aquilo que projetamos e idealizamos, ferrou (pra não dizer outra coisa). E isto é sério. Muitas pessoas sofrem por decorrência da não aceitação. Nem preciso entrar em assuntos como distúrbios alimentares, já tão discutidos por aí.

Voltando à mídia, vejo que esta não ajuda em absolutamente nada. Pelo contrário, ela apenas agrava cada vez mais. Imagens de mulheres e homens lindos, de um único padrão de beleza, indo de uma única forma de cabelo à um único tipo de cor de pele, são jogados diretamente em nossos olhos, fazendo com que aquela informação seja processada em nossos cérebros como algo comum. É como aquele tênis velho que a gente não usa mais e que fica em algum canto do nosso quarto. De tanto a gente ver aquela imagem todo santo dia, ela acaba virando paisagem e não contestamos a razão de ela existir. Esta é a forma como tratamos a beleza construída por anos pela mídia e sociedade: uma paisagem.

A parte legal de eu ter acordado assim, chateado por me sentir fraco na aparência (risos), foi que além de eu ter refletido sobre essa visão deturpada que temos de uma beleza angelical e suprema, vinda de uma centralização humana, ridícula e manipulada, eu ainda tive a oportunidade de escutar a mensagem linda de uma grande amiga. Nas palavras dela, somos todos lindos e deveríamos agradecer por estarmos aqui, com saúde, tendo possibilidade de corrermos atrás de nossos objetivos e de compartilharmos o que realmente temos de mais bonito em nós: o amor. Claro que caso eu tenha mais um dia desses, em que eu me sinta o próprio Shrek, lembrarei daquele velho ditado ” Quem ama o feio, bonito lhe parece.” e assim levarei a vida.

30 e eu ainda nada fiz da minha vida

helpSabem quando bate aquele desespero do nada, geralmente proporcionado por mais um daqueles dias de ócio total? Pois então, hoje foi este dia. Não é à toa que mamãe sempre dizia (diz) ” Mente vazia, oficina do diabo”.

Não que eu tenha realmente surtado de chorar e tal (não ainda) por perceber que daqui a alguns meses, mais precisamente onze (ok, me chamem de louco) eu estarei completando 30 anos e até agora nada tenha feito de concreto. Mas confesso que tive uma leve paranoia que fazia um bom tempo não aparecia por aqui. Culpa de quem? Do PT (brincadeirinha). A verdade é que eu não sei exatamente quem é o culpado. Até porque, a culpa, se eu for colocar no papel, é de fatores inúmeros que vêm modificando a nossa sociedade e a forma como nós vemos a nossa própria figura sendo representada dentro dessa loucura toda.

O fato é que hoje eu simplesmente me dei conta de que existem tantas coisas bacanas a serem feitas por aí, e eu, no auge dos meus 29 anos, ainda não realizei metade delas. Pra falar a verdade, acho que nem um terço (Socorro, Luciano). Dizem as más e boas línguas que estou assim porque faço parte  de uma geração que MUITO quer fazer, mas que pouco consegue colocar em prática tudo o que pensa, tanto pelas questões financeiras (muitos sonhos para pouca grana) quanto pela falta de objetividade em si de arregaçar as mangas e lutar pelo que realmente quer. Esta semana mesmo eu li algum texto sobre este assunto e me identifiquei plenamente com ele, pois vejo que tudo queremos e esquecemos dos fatores paciência, tempo, sabedoria adquirida… Enfim, qual a necessidade, né? O negócio é lacração o tempo todo e pra já!!

Em decorrência desta afobação, criamos uma angústia e ansiedade gigantesca. Claro que muito destes sentimentos são provenientes de uma comparação com a geração anterior, no caso dos nossos pais, que saíram cedo das casas de nossos avós (confusão na árvore genealógica agora) e nos tiveram também quando muito jovens, aliada à uma educação que nos fez acreditar que todos os nossos sonhos e desejos seriam possíveis (acho que neste ponto a Xuxa e a Disney também são grandes responsáveis por isso, né gente?). Francamente? Sejamos menas. Não tem como fazermos esta comparação quando estamos falando de tempos completamente diferentes. As exigências e demandas de cada período são outras e a comparação sempre vai acabar sendo inútil.

Então, Gustavo, o que eu devo fazer? Gente, eu não sei. Se eu soubesse a resposta pra esta dúvida, certamente este texto não estaria sendo escrito agora. O que eu, enquanto componente desta geração alucicrazy que foi intitulada de geração Y tento fazer é apenas seguir os conselhos de Dóris, de Procurando o Nemo. Acho que seria interessante que você fizesse o mesmo. Por isso “Continue a nadar, continue a nadar”.

Eu e ele, ele e eu

pai-e-filho“Olha, guri, vou te dar uma beaba.” “Gustavo, senta direito, tá parecendo uma china veia.” “Eu já te avisei.”

Então, gente, este é o seu Ademir, meu pai e sua sutileza de elefante. Mas o que falar deste cara que eu conheço já faz uns 29 anos e considero pacas?

A primeira informação é que a gente briga muito. Não. Brigar é muito pesado. Nós discutimos. E acreditem, é por qualquer coisa. Desde que eu me conheço por gente nós temos este tipo de relação, meio que de gato e rato, sabem? Meu pai é de uma teimosia tremenda. É tão rabugento quanto uma mula quando empaca. E não tem jeito não. Quando ele coloca uma ideia na cabeça não há Cristo que o faça mudar.

Nós somos muito diferentes e talvez isto ajude para que a gente tenha esta relação entre tapas e beijos, é ódio, é desejo, é sonho, é ternura. Ele é conservador e eu mais liberal (não pensem besteira). Ele é prático, eu sou sonhador. Ele é de exatas, eu de humanas. Ele é religioso, eu tento acompanhar o velho. Ele é Inter, eu sou nada. Ele é atleta, eu sou nada novamente. Ele é dia, eu sou noite. Ele é samba, eu sou pop. Enfim, muitas diferenças nos separam.

O que as pessoas não sabem, no entanto, é que durante todos esses anos de convivência, foi ele que trabalhou como um condenado pra que eu tivesse a melhor educação. Era ele que todas as semanas trazia do mercado público os meus primeiros quadrinhos da turma da Mônica, assim sendo influenciador direto no meu hábito de leitura. Era ele que me levava do sofá para a cama no colo (força no braço pra me carregar) quando eu dormia assistindo televisão. Era ele que mesmo sabendo da minha vergonha (aborrescente chato pra caramba) me buscava no colégio ou festas com o fusca amarelo caindo aos pedaços. Assim como também foi ele que tantas vezes me matou de preocupação com a diabetes, pressão alta, AVC, transplante de rim etc (pensem no homem de ferro). É ele que não sabe o que dizer quando eu tenho meus faniquitos em casa por estar preocupado com a faculdade, mas que ao mesmo tempo transmite uma paz com aquele silêncio de um observador. É ele que, se pudesse, trocaria de lugar comigo quando me vê decepcionado com algo. E é ele que mesmo sendo tão diferente de mim, tão complicado e perfeitinho, eu quero manter para sempre ao meu lado nesta relação eu e ele, ele e eu.

Saudade não tem idade (mentira, tem sim e são os 30)

anos-90Dizem que quanto mais maduros ficamos (porque velho aqui é a mãe), cada vez mais saudosistas nos tornamos. Gente, posso dizer, pelo menos por experiência própria, que a nostalgia aqui vem batendo na minha porta faz um bom tempo e a maldita simplesmente não quer me deixar. Então caso você seja sensível assim como “moi”, prepare o lencinho porque as próximas linhas serão de muita emoção.

Como eu já disse anteriormente, tenho tido saudades de absolutamente tudo. Começando pelo principal, tenho saudades da convivência diária com a minha família, da época em que todos morávamos juntos. Digo, meus irmãos, pai e mãe. O engraçado é que nunca tivemos, entre meus irmão e eu, aquele tipo de tratamento super meloso, cheio de abraços e frescuras, mas sempre fomos muito unidos e parceiros uns dos outros, sabendo que o amor estava ali, mesmo que ele não precisasse ser dito o tempo todo. E por conta dessa união, tivemos inúmeros momentos fantásticos juntos e que me marcaram muito. Assim, tenho saudades dos dias em que ficávamos juntos às tardes em casa. Dos dias chuvosos assistindo filmes dos anos 80 com eles e comendo as pipocas doces (queimadas) da minha irmã, ou ainda mingau de chocolate que ela preparava. Sinto saudades das “jogatinas” de Ludo que fazíamos em nossa casa e que sempre acabavam com alguém (eu) irritado. Sinto saudades das “fungações” do meu irmão, em virtude da rinite alérgica e até mesmo dos peidos “atômicos” soltados na parte de cima da cama beliche. Sinto saudades de ver minha irmã, no auge da sua adolescência, fazendo performances, como se artista fosse, em cima do sofá da sala. E eu a acompanhá-la por muitas vezes (a criança veada). Ou ainda, enlouquecendo geral porque filmes como ” O guarda-costas” ou qualquer outro com o ator Ed Murphy (denunciando a idade) seriam passados na sessão da tarde. Tenho também saudades de ser acordado aos domingos por meu pai que sempre ligava o rádio a mil pelo Brasil e dançava, na garagem mesmo, todos os estilos musicais possíveis, causando inveja nas inimigas pelo gingado e malemolência. Sinto saudades de sentir o cheiro de pão feito em casa que minha mãe fazia todos os domingos à tarde. Tenho saudades de escutar minha melhor amiga de infância gritando no muro das nossas casas “DUDUUUUUU” (longa história). Tenho saudades de ser aquela criança que sonhava em ser o melhor desenhista do mundo e que tinha como ídolo supremo Maurício de Sousa. Esta mesma criança, que desenhava em qualquer papel, também escrevia muitos “Mãe, eu te amo”. Assim mesmo, de forma bem espontânea, porque o amor era tão grande, que quase já nem cabia mais naquele pequeno corpo e precisava ser externado sem nenhuma vergonha (tá, eu só não escrevo mais, mas o amor continua o mesmo). Saudades de escutar o “clap, clap” do salto alto da minha avó chegando em casa e gritando ” Ô de casa”. A mesma que andava em uma velocidade invejável de salto alto e reclamava pelos cotovelos lavando a louça, também sabia ser a avó mais doce quando sempre alinhava as minhas sobrancelhas com cuspe (nojinho, mas puro amor).

Mas nem sempre as coisas foram flores. Lembro-me também dos períodos complicados de crise financeira e que não foram poucos. De dividirmos um pacote de biscoito recheado por mês entre os três filhos. De não passarmos grandes temporadas na praia, como as outras famílias, afinal a grana era sempre curta. De não termos as roupas da moda ou de não podermos comprar coisas mais luxuosas. De ver meus pais trabalhando muito, mas muito mesmo para conseguirem nos manter em uma escola de qualidade. De ver meu pai triste porque tinha sido demitido uma ou duas vezes e de escutar dele mesmo a frase ” Não te preocupa. Pensa apenas em estudar e brincar. O resto, deixa comigo e com a tua mãe”. De ter que empurrar o fusca amarelo no meio da estrada quando ele simplesmente não queria funcionar e saber que a única pessoa isenta desta tarefa era minha irmã (gente, isso pra mim era também o fim da picada). E muitas outras coisas mais que não caberiam em um único texto.

Enfim, tenho saudades e lembranças de muitos fatos que aconteceram em nossas vidas. Porém, toda vez que olho para trás, nunca penso nestes acontecimentos com um pesar ou mesmo com vontade que eles retornem. Acredito fielmente que as coisas nas nossas vidas acontecem na hora certa e têm uma razão para acontecerem: a aprendizagem. E é exatamente esta aprendizagem que eu sempre levarei como um bem maior.

E vocês, gente? Do que vocês têm saudades?

A incrível geração de gente chata da internet

chatosGente, eu não sei se é a chegada dos 30 e por consequência a diminuição da minha paciência para determinadas coisas ou se as pessoas estão realmente ficando mais chatas mesmo, mas que está ficando cada vez mais difícil de defender você, humanidade, isso está.

Recentemente, temos visto em todos os meios de comunicação que muitas cidades do Rio Grande do Sul têm sido afetadas pelas chuvas torrenciais. Com isso, muitas famílias acabaram perdendo seus pertences, ficaram sem mantimentos e inclusive estão desalojadas sem previsão de volta, já que a maldita desta chuva não está querendo dar trégua (São Pedro está muito inspirado). Pelas próprias redes sociais, percebi que muitos decidiram ajudar estas pessoas que estão necessitadas, nada mais natural e mais humano do que uma atitude como esta. Campanhas estão sendo criadas às pressas e pessoas que talvez nunca tenham se visto antes estão se unindo por uma causa nobre e linda. Mas Gustavo, o que isso tem a ver com o título do texto? Já estou chegando lá, caros amigos.

Então, têm aqueles ou aquelas camaradas que decidiram, antes de entregarem suas doações, tirar selfies com os mantimentos, cobertores, roupas, etc. Sinceramente falando, eu não vejo problema algum nisso, afinal o mais importante é o destino que todas essas doações terão: pessoas que perderam tudo ou quase tudo. Mas aí aparecem nas redes sociais a “INCRÍVEL GERAÇÃO DE GENTE CHATA DA INTERNET” (leia com voz de locutor) que apenas sabe criticar. Reclamam que é muita gente postando foto para pouco trabalho solidário. Reclamam que as pessoas não estão ajudando o bastante e que apenas sabem postar selfies. E me admiro que até agora, causas como a África da fome, uma causa que eu respeito demais e que não deveria ser mencionada como desculpa para esconder o descaso ou preconceito pessoal,  ainda não tenham sido citadas em meio as discussões sem fundamentos para justificar a falta de comprometimento com outras situações sociais, assim como aconteceu quando muitas pessoas coloriram suas fotos de perfil no facebook.

Vejo que estas pessoas que tanto reclamam são as mesmas que logo estarão achando justificativas para não ajudarem quem está precisando. Vocês querem exemplos? Tenho alguns aqui. Segurem este forninho, então:

” Mas se há tanto alagamento é porque as pessoas porcas estão jogando lixo no chão, nos bueiros, etc.”

“Mas por que estas pessoas foram morar perto de rios e arroios?”

” Estas pessoas já deveriam saber que este tipo de coisa (alagamento) é comum nestas regiões e períodos do ano.”

E por aí vai.

A verdade é que seria muito mais honesto e coerente da sua parte, querida geração de gente chata da internet, se você deixasse bem claro que não se importa em ajudar o próximo, porque você é preguiçosa. Se você deixasse de ser tão hipócrita e parasse de criticar os que alguma coisa estão fazendo. E se você, caso não queira realmente ajudar, limitasse os seus comentários a lugares onde as pessoas não tivessem acesso algum. Isso mesmo, o seu cérebro, caso você ainda o tenha.

Eu odeio a vida de estudante universitário

estudarConfesso que relutei muito a escrever este texto no blog. Primeiro, porque como professor sei o quanto uma opinião minha pode pesar e até mesmo ser de grande influência na vida dos meus alunos. Segundo, porque faço parte de uma pequena parcela negra que está na universidade e assim eu deveria estar eternamente agradecido por este fato e não “reclamando”. E para ficar no terceiro, não posso esquecer de meus pais, que tanto se empenharam para que eu aqui estivesse, inclusive escrevendo neste blog. Afinal, tudo começou lá nos tempos da alfabetização. Mas mesmo com estes motivos e talvez outros mais, não incluídos no texto, o que me levou a escrevê-lo? Abaixo, segue uma lista bem explicativa que você, estudante universitário, de 20, 30, 40 ou mais, poderá se identificar plenamente e entenderá a razão de eu odiar tanto este meio universitário (tente não chorar no cantinho).

1) Porque os horários proporcionados para as disciplinas do seu curso são absurdamente ridículos, fazendo você, muitas vezes, se acordar às 5h da manhã. Este fato tem como consequência o número 2.

2) Porque você, na maior parte das vezes, só consegue dormir de 4 à 5 horas por noite, causando um cansaço que só Deus sabe.

3) Porque a maioria dos câmpus das universidades são super gelados no inverno, não tendo nenhum lugar para a proteção do ser humano ( Sim, gente. Estudante é ser humano). Ou, são muito quentes durante o verão, causando suores, fedores e por consequência, constrangimento.

4) Porque você viaja para ir à universidade, como se para o litoral estivesse indo. Porém, fica muito menos tempo dentro da sala de aula (físico, pois o tempo psicológico, dependendo do professor, é eterno) do que no busão.

5) Falando em “professores”… gente, simplesmente melhorem.

6) Porque grande parte do seu currículo não faz nenhum sentido e alguns “professores” não fazem a mínima questão de ajudar os alunos a gostarem da sua disciplina.

7) Se você é um trabalhador/ estudante, já se acostume a ter inúmeras indagações sobre o tempo. Aliás, nunca haverá tempo. Nem que você passe noites acordado. Um conselho? Na dúvida, durma.

8) Porque você vai encontrar muitas pessoas arrogantes. Mas muitas mesmo. E o mais bizarro é elas acreditarem que uma nota “A” as define, e que principalmente você, que assim como eu tira os seus B’s e C’s (e está pra lá de contente), está com inveja delas. Não colegas, a gente não tem inveja. A gente tem pena dessa sua vida limitada a um único universo. Pra não esquecer das pessoas arrogantes que gostam de explanar sua opinião preconceituosa sobre o sistema de cotas. Sério, gente? Vocês querem minha opinião sobre vocês? Assim como alguns, e vejam bem, alguns professores, MELHOREM!

9) Porque quando chega o final de semana e finalmente a gente acredita que vai ter um descanso mental, pois pelo amor de Deus, era assim que deveria ser, temos que reservar tanto o sábado quanto o domingo para os estudos, leituras, término de trabalhos, esquecendo completamente a nossa vida social. Os amigos ficam furiosos, os/as peguetes vão desaparecendo e a família já está até acostumada a não lhe ver mais nas jantas e almoços comemorativos.

10) Porque depois de um determinado tempo, até para você mesmo, todo este esforço e tantos anos lá dentro já começam a não fazer mais sentido.

Mas por que então continuar com esta “joça”, Gustavo? Uma palavra ,gente: Esperança. Esperança de que todo este trabalho e dedicação sejam transformados em satisfação e orgulho. Esperança de que o pouco do que construí neste período possa servir de algo, não apenas para mim, mas para os que ao meu redor estão também. Esperança de que eu possa servir de exemplo para tantos outros que acreditam no poder da verdadeira educação, e não nesta que apenas repreende e segrega os seres. E principalmente esperança de que um dia, após 4, 5 ou mais anos ( sim, o meu caso) a graduação acabe.